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Usinas Nucleares (e seus problemas) são para sempre!

De: AA
Date: 10/07/2001

Brasil

ONGs ambientalistas lançam manifesto contra Angra 3 Não deixe que um pesadelo se abata sobre nós.

Chega de nuclear, o Brasil é solar!

O Conselho Nacional de Política Energética se reúne neste mês de Julho para, entre outros assuntos, decidir sobre a construção de mais uma usina nuclear, a usina de Angra 3.

As entidades não governamentais ambientais e sociais reunidas na coalizão “Grupo de Trabalho de Energia” reprovam a construção de Angra 3, bem como qualquer outro investimento em energia nuclear, porque:

1. a tecnologia nuclear é perigosa, já causou acidentes graves como o de Tree Miles Island, nos EUA, e Chernobil, na Ucrânia, com milhares de mortes, doentes, e com perda de grandes áreas, e porque continuam apresentando graves riscos para toda a humanidade;

2. reatores nucleares e instalações complementares geram grandes quantidades de lixo nuclear que precisam ficar sob vigilância por milhares de anos;

3. não se conhecem técnicas seguras de armazenagem do lixo nuclear gerado. Optou-se, nos reatores Angra 1 e Angra 2, por estocar o resíduo dentro do prédio do reator, uma solução provisória e arriscada, já que o próprio Relatório de Impacto Ambiental de Angra 2 reconhece que não há espaço suficiente para a estocagem de todo o lixo nuclear que será gerado durante a vida útil do reator no interior de seu vaso de contenção;

4. os custos da energia nuclear são altíssimos, maiores que os da hidroeletricidade e de fontes renováveis como a co-geração com resíduos de biomassa e os coletores eólicos. A indústria nuclear afirma que até agora já foram investidos US$1,2 bilhão em Angra 3 e que são necessários mais US$1,7 bilhão para o término da obra. Estes números em si já estratosféricos são, no entanto, modestos se considerarmos os custos reais da implantação deste tipo de obra. Estudos do IEE-USP mostram que Angra 2, usina irmã de Angra 3, custou aproximadamente US$10 bilhões quando considerados os custos financeiros e outros relativos ao acordo nuclear Brasil-Alemanha do qual fazem parte as usinas de Angra 2 e 3;

5. a energia gerada pela eventual usina de Angra 3, assim como a gerada em Angra 1 e 2, será subsidiada pelo Tesouro Nacional nos termos da lei que obriga o Tesouro a arcar com os custos da energia nuclear que excedam os custos marginal de expansão do sistema elétrico, calculado com base nos novos aproveitamentos hidrelétricos a serem construídos, fazendo com que todos os brasileiros de qualquer geração e que consumam ou não energia elétrica, paguem pelo desejo dos militares que em 1975, no auge dos governos totalitários, decidiram que um acordo com a Alemanha e a construção de várias usinas nucleares poderiam ser a saída para a construção de armamento nuclear brasileiro;

6. a energia nuclear passa no momento por uma moratória branca em todos os países do mundo. No caso particular da Alemanha, país que forneceria os equipamentos para a eventual Angra 3, o governo central decretou o abandono da tecnologia a partir de 2030.

Por tudo isto, conclamamos os brasileiros a se manifestarem exigindo que os ministros do CNPE tomem a única decisão saudável quanto à energia nuclear: abandonar totalmente a construção de novos projetos e passar a discutir como nos veremos livres dos que estão já em operação.

Escreva já para os ministros da Casa Civil, da Fazenda, do Orçamento, de Minas e Energia, do Meio Ambiente, e da Indústria e Comércio expondo sua opinião, ou mande o texto acima.

Você pode fazer a diferença.

Lembre-se, a crise de energia pode passar logo, mas usinas nucleares e seus problemas são para sempre.

Ecoa / IRN / Coalizão Rios Vivos, Brasil Sustentável, Ingá, AGAPAN, SOS Mata Atlântica, CEIPAC, MAB, Pangea/Agirazul, Liga Ambiental, NAT/Brasil, CPI-SP, ISA-SP, Gambá, AT Amazônia Brasileira, Instituto Terrazul, MPF/PRR3, Vitae Civilis, Sócios Natureza, Rede Verde, SPVS


Última atualização: 06 setembro, 2011

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