AgirAzul Memória
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AgirAzul 5

O Português do AgirAzul

Por Bertílio Romais*

O AgirAzul ‑ Boletim Ambientalista nº 4, merece reparos quanto ao bom uso da Língua Portuguesa. Destaco, entre outros, os seguintes (os três primeiros casos ocorrem no texto Barragem do Gravataí, na  capa):

1. “Daqui dois anos (...)”

2. "Daqui pouco (...)"

É evidente que a pronúncia do a não pode ser escrito com agá. Deve ser um a simples. Vejam que o problema do Português já começa com as primeiras letras do alfabeto.  A  pronúncia do a pode   ter  três   grafias: I) a = preposição II) à = a(prep.) + a(art.), e III) com o sentido de faz (indicando tempo já decorrido). Então a, à, têm a mesma pronúncia, mas empregos e sentidos diferentes.

3. “Alguns fazendeiros tem interesse (...)”.

O verbo tem aí precisa de chapéu, assim: têm. Porque o sujeito é plural. O sujeito no plural ou sujeito composto exige sempre verbo no plural. A dupla ter/vir (tem/vem), ora é sem acento (quando o sujeito é singular), ora é com acento (quando o sujeito é plural).

4. “A desativação de uma usina nuclear é mais caro do que sua construção” (pág. 21).

É título de texto onde a palavra  em negrito está mal flexionada. Corrigindo, ficaria assim: A desativação de uma usina nuclear é mais cara que sua construção. A palavra caro pode estar, ora na função de adjetivo (flexionando‑se, como é o caso acima), ora na função de advérbio (sem flexão).

 

*O autor era professor de Português na ULBRA à época da publicação da nota, em 1993.