Reunião Internacional reafirma proteção às baleias

Posição Brasileira foi Fundamental para Derrotar Japão e Noruega

NAIROBI, QUÊNIA, 15 de Abril (18:00 EAT) – A XII Reunião dos Países Contratantes da Convenção CITES, que regula o comércio internacional de produtos de espécies de flora e fauna ameaçadas, votou hoje por ampla maioria para negar ao Japão e à Noruega licença para voltar a comercializar carne e gordura de baleias no mercado internacional. Os dois países, únicos que atualmente desafiam a proibição mundial de caça à baleia determinada pela Comissão Baleeira Internacional em 1986, tentaram ao longo de toda a reunião convencer os delegados de mais de 120 países presentes à reunião a desafiar a proibição da CIB. As propostas apresentadas para a liberação do comércio, que incluíam as baleias-minke que se reproduzem em águas brasileiras, foram no entanto derrotadas por ampla maioria e em meio a queixas de delegados do leste europeu de pressões indevidas por parte dos japoneses contra as delegações. A reunião da CITES reafirmou a autoridade da Comissão Baleeira para manter a prtoibição à caça e a proteção das baleias.

Diversas delegações governamentais, dentre elas as dos Estados Unidos e da Austrália, e ONGs ambientalistas presentes à reunião de Nairobi ressaltaram a importância dos diversos pronunciamentos brasileiros a favor das baleias como um dos fatores decisivos para derrotar os dois países recalcitrantes. O Brasil goza de grande prestígio na CITES e a delegação, chefiada pelo Embaixador Joaquim Whitaker, declarou durante os debates que o Brasil defende o direito que têm os países em desenvolvimento de utilizar suas baleias para fins não-letais, como a pesquisa e o ecoturismo, e que a caça pelos países desenvolvidos ameaça esses direitos. "Antes de se voltar a considerar a caça e o comércio de produtos baleeiros, é preciso garantir o respeito às políticas conservacionistas de países como o Brasil, que lucra cada vez mais com a proteção de suas baleias", disse o Assessor Técnico da delegação brasileira em Nairobi, José Truda Palazzo Jr, que coordena no País o Projeto Baleia Franca. O turismo de observação de baleias movimenta cerca de US$ 1 bilhão/ano e o Brasil apenas agora começa a receber os benefícios dessa atividade em locais como o arquipélago de Abrolhos e a costa de Santa Catarina.

Durante esta semana a reunião da CITES discutirá outros temas de interesse para o Brasil, como a proposta de Cuba, apoiada pelo Japão, de reabrir o comércio internacional das ameaçadas tartarugas-marinhas. 

Maiores informações:

José Truda Palazzo Jr., Assessor Técnico
Delegação do Brasil à XII Conferência das Partes Contratantes da CITES
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