O Mercado é cego para as gerações futuras

Porto Alegre, 26-1-2001 - José Lutzenberger (currículo - foto),  pensador e ecologista gaúcho, participou hoje pela manhã de painel no Forum Social Mundial, em Porto Alegre, procurando responder a questão sobre "Como traduzir o desenvolvimento científico em desenvolvimento humano?". Lutzenberger é o presidente da Fundação Gaia, sediada em Porto Alegre.

Também participaram do painel o Diretor de Pesquisa do Instituto Nacional de Saúde e Pesquisa Médica francês e Presidente da Comissão Francesa de Desenvolvimento Duradouro, o biólogo Jacques Testart, o deputado estadual do Rio Grande do Sul Elvino Bohn Gass (PT), e a economista chilena Rayén Quiroga Martinez. Presidiu a mesa dos trabalhos Paul Nicholson, vindo da Bélgica, participante da Via Campesina. 

Para Lutzenberger, "o mercado é cego para determinadas pessoas, para os pobres e para as gerações futuras" e, ainda mais importante, ressalta, "é cego para a criação, a evolução orgânica que nos deu origem", causando injustiças sociais tremendas. Discorrendo sobre o conceito de "técnica", afirmou que "a técnica utiliza os resultados da ciência, conseguidos com pesquisa livre, para a construção de um instrumento, que é sempre a manifestação de um ato político.". O ecologista gaúcho acreditaria no mercado caso fosse ele livre de manipulações. Mas, o mercado é cego, diz, para determinadas pessoas - quem não tem dinheiro, por exemplo, vive apartado dele. Afirmou que a Revolução Verde, quando houve maciça aplicação de agrotóxicos e a criação de grandes monoculturas a partir da década de 70, causou  diminuição drástica da variedade de sementes à disposição do agricultor. Ressaltou que neste processo acaba havendo empobrecimento dos agricultores, desaculturação e dependência absoluta de custos em relação às empresas transnacionais do setor.

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