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JAPÃO - Banco Mundial pode financiar grandes barragens no Brasil
Estratégia inclui transposição do rio São Francisco e hidrovia do Rio Paraná

- EXCLUSIVO - Direto do Japão - EcoAgência de Notícias
18-mar-03

Carlos Tautz*

O Banco Mundial lançou ontem no Fórum Mundial da Água, em Quioto (Japão), a sua nova estratégia para o financiamento de projetos hídricos em países em desenvolvimento, tendo o Brasil como uma de suas prioridades. Mas, as áreas financiáveis causam polêmicas ambientais e sociais: hidrelétricas na região amazônica, transposição do Rio São Francisco e a hidrovia do Rio Paraná.

Segundo Ian Johnson, vice-presidente do Banco para o Desenvolvimento Sustentável, até grandes barragens podem receber o aval da institutição, o que serviria de sinal positivo para outros investidores. Ele não fixou valores para possíveis investimentos do banco.

"Precisamos mais que dobrar os atuais investimentos anuais de US$ 75 bilhões para US$ 180 bilhões por ano, para alcançar as Metas de Desenvolvimento do Milênio", informou. As metas visam, entre outros objetivos, diminuir sensivelmente a pobreza, a fome e a mortalidade infantil em todo o mundo até 2015.

"As salvaguardas socioambientais do Banco são consideradas como uma das melhores do mundo", observou Johnson, em resposta a pergunta sobre se os projetos do banco não encontrariam dificuldades com movimentos ecologistas. O executivo evitou responder, por duas vezes, se a tarefa do Banco Mundial não ficou mais difícil na administração Lula, quando os atingidos por barragens, em tese, têm mais acesso ao governo do que na gestão do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso.

Johnson informou que não vai exigir mudanças institucionais aos países tomadores de empréstimos, como fez no passado. "O Banco Mundial nunca foi ideologicamente favorável a privatização", garantiu. "Nossa posição é pragmática: vamos implementer as Metas de Desenvolvimento do Milênio, para ajudar a diminuir a pobreza, e assim, cumprir a missão do banco".

Mas, o documento "Água - Uma prioridade para o crescimento responsável e a redução da pobreza: uma agenda para investimento e mudança política" diz que é necessário ligar reformas hídricas a reformas maiores.

Os desembolsos do Banco Mundial para projetos de infraestrutura não são tradicionalmente vultosos. Mas, o valor do envolvimento do Banco está na sinalização positiva que esse movimento emite para outros investidores em potencial.

A estratégia do banco será levada agora à reunião do grupo dos sete países mais ricos do mundo, mais a Rússia (G-8). O evento acontece em junho na cidade francesa Evian. Ela completa o Relatório Michel Camdessus, sobre financiamento para a área de recursos hídricos, que o ex-diretor executivo do Fundo Monetário Internacional elaborou para o Conselho Mundial da Água.

*O repórter da EcoAgência viajou ao Fórum Social das Águas à convite da Fundação Ford. tautz@ecoagencia.com.br  © EcoAgência de Notícias


Última atualização: 06 setembro, 2011 - © EcoAgência de Notícias - NEJ-RS e PANGEA
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