AgirAzul 2setembro de 1992
Reunião Anual da CIB
Truda Palazzo: a assassina sustentável
José Truda Palazzo Júnior
Gro Brundtland caça baleias em 1993
A 44º Reunião Anual da Comissão Internacional da Caça da Baleia (CIB) transcorreu em Glascow, Escócia, 29 de junho a 3 de julho último. Apesar d idiotices que imprensa brasileira publicou, a CIB não autorizou a reabertura da caça baleias. E a Reunião Anual discutiu diversos temas cuja solução prévia é condição sine qua non para pensar em reabrir a caça: a crueldade dos métodos de matanças disponíveis, falta de um esquema de controle das frotas balceiras, alterações ambientais nos oceanos, e outros.
Mas a grande estrela da Reunião da CIB não estava lá, e só brilhou através de um recadinho sutil: a perua-mor do "desenvolvimento sustentável" e pseudo-ambientalista Gro Harlem Brundtland,primeira-ministra Noruega, mandou sua delegação na CIB avisar que seu país vai voltar a matar baleias em escala comercial em 1993 à revelia de qualquer decisão contrária da Comissão.
Uma vergonha? Não mesmo! Tudo perfeitamente explicável pela sofismática doutrina do desenvolvimento sustentável. Acompanhem o raciocínio: Gro é uma ambientalista muito séria. A Natureza é para o Homem. As baleias são um recurso. Os cientistas noruegueses dizem que matar baleias não ameaça as espécies. Logo, é legal e sustentável matar baleias. Não importa que Gro seja só uma burocrata mofada que só faz badalar seus modelitos gabinetes oficiais; que a Natureza possa direitos próprios; que as baleias tenham papel ecológico relevante nos oceanos e valores intrínsecos além de carne, óleo e farinha de ossos; que os cientistas não saibam nada sobre a biologia das baleias e só usem modelos estatísticos sem comprovação prática. Aí está um caso concreto da nova doutrina safada que Conferência do Rio e as quadrilhas de políticos criminosos como Gro querem entronizar como a Nova Ordem do Século XXI.
As baleias de Gro são sóo começo. Ouçam Flávio Perri dizer que o IBAMA não deve ser "fiscal" mas sim promover o "uso sustentável" dos recursos naturais. Vem aí, pelo mundo agora, Gilberto Mestrinho & jacarés, Fujimore & florestas, e outras coisas do gênero. A não ser que digamos todos, desde já, um NÃO definitivo à falácia sebosa do "desenvolvimento sustentável" e lutemos, ao contrário, por uma ética planetária.
