AgirAzul 523 de junho de 1993
O Português no AgirAzul
Bertílio Romais
O Português do AgirAzul
O AgirAzul ‑ Boletim Ambientalista nº 4, merece reparos quanto ao bom uso da Língua Portuguesa. Destaco, entre outros, os seguintes (os três primeiros casos ocorrem no texto Barragem do Gravataí, nacapa):
1. “Daqui há dois anos (...)”
2. "Daqui há pouco (...)"
É evidente que a pronúncia do a não pode ser escrito com agá. Deve ser um a simples. Vejam que o problema do Português já começa com as primeiras letras do alfabeto.Apronúncia do a podetertrês grafias: I)a = preposição II)à = a(prep.) + a(art.), e III)há com o sentido de faz (indicando tempo já decorrido). Então a, à, há têm a mesma pronúncia, mas empregos e sentidos diferentes.
3. “Alguns fazendeiros tem interesse (...)”.
O verbo tem aí precisa de chapéu, assim: têm. Porque o sujeito é plural. O sujeito no plural ou sujeito composto exige sempre verbo no plural. A dupla ter/vir (tem/vem), ora é sem acento (quando o sujeito é singular), ora é com acento (quando o sujeito é plural).
4. “A desativação de uma usina nuclear é mais caro do que sua construção” (pág. 21).
É título de texto onde a palavraem negrito está mal flexionada. Corrigindo, ficaria assim: A desativação de uma usina nuclear é mais
cara que sua construção. A palavra caro pode estar, ora na função de adjetivo (flexionando‑se, como é o caso acima), ora na função de advérbio (sem flexão).
*O autor era professor de Português na ULBRA à época da publicação da nota, em 1993.
